sexta-feira, 26 de março de 2010

Capins na Aromaterapia

Por Fábián László*
Capim cidreira, limão e gengibre, palmarosa, jamrosa, citronela
Dentre os diferentes tipos de capins e gramas, falaremos sobre aqueles pertencentes ao gênero Cymbopogon, que possui aproximadamente 56 espécies aromáticas e que ocorrem nas regiões tropicais e temperadas da Eurásia. Algumas destas espécies merecem atenção especial devido ao seu grande uso dentro da medicina popular e para extração de óleo essencial com as mais diferentes finalidades como uso terapêutico, cosmético e perfumaria. Entre estes nós destacamos o capim-limão, capim-cidreira, citronela, palmarosa, jamrosa e capim-gengibre. Todos os capins são plantas perenes, de aspecto muito parecido, o que às vezes até dificulta sua identificação sem um contato direto com suas folhas para sentir-se seu aroma. Normalmente formam touceiras como as de cana, mas em escala menor. No verão, aparecem insignificantes panículas em espigas nas plantas silvestres, entretanto raramente nas de cultivo. A maior parte dos capins são originários das savanas da Índia Meridional, da China, Filipinas, Sri Lanka e da Guatemala.
Do capim-limão (lemongrass) existem duas sub-espécies, com óleos essenciais diferentes. A primeira delas, de nome científico Cymbopogon flexuosus é conhecida como capim-limão da Índia Oriental e seria o capim-limão do qual tratam os livros de aromaterapia internacionais (às vezes é erroneamente chamado de citronela ou confundido com a mesma). O segundo, o Cymbopogon citratus, é muito conhecido aqui no Brasil como capim-cidreira, erva-cidreira ou capim-santo (no exterior é denominado de capim limão da Guatemala). São plantas diferentes e no Brasil só existe a segunda, o C. citratus. A diferença básica entre as duas plantas fica na composição química de seus óleos essenciais. Ambos possuem um alto teor de citral, um componente que lhes dá um certo cheiro de limão, daí o nome, porém o capim-cidreira possuirá também mirceno, o que lhe confere outras propriedades.
O capim-limão (Cymbopogon flexuosus) possui um teor de citral superior a 85% em seu óleo essencial, enquanto o capim-cidreira (Cymbopogon citratus) de 65-85%. Dentro da cultura popular estas plantas são indicadas como calmantes, sedativas, em problemas gastrointestinais, como repelente de insetos, galactagogos, em casos de febre e até dor de cabeça. Algumas pesquisas científicas já feitas com o óleo essencial da planta possibilitaram se confirmar certas indicações e desmentir outras: ambas as plantas prezam pela reputação de serem calmantes segundo a medicina popular, porém pesquisas feitas na Universidade Federal Fluminense de Niterói e Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto mostraram que em testes realizados com cobaias, o chá de capim-cidreira não possui qualquer efeito calmante do sistema nervoso central. O que pode acontecer é que o óleo de capim-cidreira possui ação vasodilatadora, podendo abaixar a pressão sanguínea, e isso acabar sendo confundido com a sensação de relaxamento. Outra possibilidade é que por conter bem mais mirceno do que o capim-limão, o capim-cidreira poderia exercer uma ação analgésica local pois outras pesquisas demonstraram que o mirceno possui propriedades sedativas do sistema nervoso periférico e apresenta resultado mais eficaz neste sentido quando inalado, usado localmente ou quando injetado diretamente na corrente sangüínea.
Em razão disso, o capim-cidreira é um bom óleo para empregar-se em massagens para tratar de dores musculares e localizadas, pois ajuda a diminuir a dor, tratando também de processos inflamatórios. O efeito calmante e antidepressivo do chá de capim-cidreira talvez tenha sido atribuído a ele devido à confusão que se faz aqui no Brasil entre as plantas com o nome erva-cidreira, pois em outros países ele não é considerado calmante.
Existem três plantas com este nome sendo que somente esta é um tipo de grama. As outras duas são a melissa (Melissa officinalis) e dá de forma rasteira de maneira muito semelhante à hortelã e a outra é a verbena brasileira (Lippia geminata).
Outra propriedade muito importante já estudada com o capim-cidreira e capim-limão são suas propriedades fungicidas que podem ser aproveitadas na conservação de alimentos estocados e no tratamento de micoses e alergias (fungos são os maiores causadores de alergias de pele e respiratória). Uma pesquisa feita com o capim-cidreira constatou uma grande eficácia contra Aspergillus flavus, um fungo comum de se formar em alimentos estocados em galpões e responsável pela sua rápida deteriorização. A ação do óleo persistiu por um espaço de 7 meses de estocagem e a introdução de altas doses de fungos nas amostras. Seu uso em aromatizadores é útil para matar fungos dispersos no ar como Aspergillus fumigatus, Rhizopus oryzae, Fusarium solani, etc. Propriedades antibacterianas no óleo mostram-se muito úteis no tratamento de uma série de microorganismos como Staphylococcus aureus, Enterococcus faecalis, Candida albicans, Salmonela entérica, Aeromonas veronii, Pseudomonas aeruginosa, etc.
Pela existência de farnesol nos óleos de capins, eles passam a adquirir uma ação bacteriostática, ou seja, inibem a multiplicação das bactérias e isso explica seu resultado como desodorante, desinfectante e contra bromidrose (chulé). Outros empregos do capim-cidreira seria no tratamento de acne, como estimulante da circulação, em massagens anti-celulite, problemas de má digestão e gases. Observamos que um chá bem concentrado de capim cidreira é muito útil para acabar com os sintomas da gripes, o que nos leva a suspeitar também de uma propriedade inibitória de vírus.
Estas espécies merecem atenção especial em razão do seu grande uso dentro da medicina popular e para extração de óleo essencial com as mais diferentes finalidades, como uso terapêutico, cosmético e perfumaria.
Palmarosa, jamrosa e citronela.
Uma outra planta da família dos capins é a palmarosa (Cymbopogon martinii var, motia), que por possuir geraniol em seu óleo tem um aroma que lembra o do gerânio ou da rosa. A palmarosa é muito empregada no tratamento da pele, pois ajuda a tratar de acne e inflamações, age como rejuvenescedora e citofilática e, por isso, é muito usada na cosmética. Um óleo muito parecido com a palmarosa é a jamrosa (Cymbopogon jawarancusa), muito comum na Índia, mas ainda pouco conhecida no ocidente. A jamrosa possui um aroma e composição química similar à da palmarosa e por isso pode substituí-la em seus usos. O capim-gengibre (Cymbogon martinii var. sofia), um parente próximo da palmarosa, possui aroma totalmente diferente e de um tom mais rústico. Possui propriedades parecidas com as do capim-limão e age como um bom analgésico muscular (tensão e dores). Existe também a citronela, muito conhecida por suas propriedades repelentes de insetos. Existem duas espécies de citronela conforme a região de procedência. Seus óleos essenciais são parecidos em aroma e possuem as mesmas indicações, ficando a diferença no teor de citronelal do óleo. Ambas originaram-se de uma espécie selvagem, a Cymbopogon confertiflorus. Uma é a citronela do Ceilão (Cymbopogon nardus) e a outra é a citronela de Java (Cymbopogon winterianus). A última é que possui mais citronelal, o princípio ativo responsável pelo potencial repelente da planta. Este é um óleo muito bom para ser empregado em inflamações articulares, reumatismo e até contra LER (Lesão por Esforço Repetitivo) já mostrou algum resultado.
O óleo de citronela associado a 5% de vanilina numa pesquisa laboratorial repeliu três espécies de mosquitos (Aedes aegypti, Culex quin-quefasciatus e os Anopheles) por mais de 8 horas. Foram eficazes contra o A. aegypti, mosquito causador da dengue, velas de citronela com 3% de óleo essencial e incensos a 5%. Coleiras com citronela também têm se mostrado muito úteis para afastar pulgas, carrapatos e mosquitos de cachorros. Um dos usos que poderíamos generalizar para os capins é como antissépticos para lavar pias de cozinha, tábuas de carne e ainda algumas gotas na água onde legumes e frutas são deixados por alguns minutos para matar vermes e bactérias. Um efeito tão bom quanto o cloro e menos prejudicial à saúde.
Apesar de todas estas boas indicações e dos óleos de capins serem óleos relativamente seguros, especialmente o capim-limão e cidreira devem ser evitados por homens com problemas de próstata como hiperplasia, pois o citral, presente no óleo, pode ocasionar um aumento da dilatação prostática, complicando ainda mais o problema. Porém, homens sem problemas de próstata podem usá-lo seguramente.
Também em pesquisas notou-se que o uso prolongado (acima de 15 dias) do óleo puro ou altamente concentrado sobre a pele pode ocasionar um estado de hiperplasia das glândulas sebáceas, o que pode desencadear problemas de pele. Em observações constatou-se que este efeito (ocasionado pelo citral existente no óleo) está relacionado a um aumento no nível de testosterona. A hiperplasia das glândulas sebáceas está relacionada diretamente a uma atividade andrógena afetada pela testosterona.
* Fábián László é Professor de Terapia com Óleos Essenciais, Reiki e Photocromaterapia no SENAC e SESC de Belo Horizonte (MG).

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QUINOA


PROPRIEDADES NUTRICIONAIS

A quinoa foi escolhida pela Nasa por ser uma ótima fonte de proteínas de

alto valor biológico e fornecer todos os aminoácidos essenciais necessários para a

formação de enzimas e de massa muscular e para todo o funcionamento orgânico.

Os aminoácidos essenciais não são produzidos pelo organismo humano e, por

isso, é preciso buscá-los na comida. As principais fontes são os alimentos de

origem animal. 'Como tem uma quantidade muito grande de proteínas e todos os

aminoácidos essenciais, além de ser rica em ferro e zinco, a quinoa é de especial

interesse para o vegetariano. Aquinoa ainda fornece magnésio, potássio,

manganês, vitaminas B1, B2, B3, D e E. Para completar, é um alimento rico em

fibras também bastante calórico 100 gramas correspondem a 450 calorias.

O amaranto possui grande potencial nutritivo. A semente possui cerca de

15% de proteínas, que tem uma qualidade biológica comparável à do leite e

superior a de outros vegetais, como a soja e o feijão. O amaranto também é rico

em fibras e pode ser utilizado como fonte de zinco, fósforo e cálcio, elemento

pouco encontrado em vegetais. Experiências realizadas com coelhos de

laboratório na FSP, que tiveram seu colesterol aumentado por uma dieta,

demonstraram a capacidade do amaranto em reduzir os níveis plasmáticos de

colesterol. O amaranto é um arbusto que pode atingir até 2 metros de altura, com

folhas grandes e panículas (tufos semelhantes às espigas) que concentram as

sementes. "As folhas podem ser cozidas como a couve". Para a produção de

farinha, é necessário extrair das sementes o óleo, que tem altos níveis de ácidos

graxos insaturados e também poderia ser usado na alimentação.

INDICAÇÕES:

Não há restrições para o consumo daquinoa e amaranto, mas o público-

alvo são os portadores de doença celíaca (intolerância a alimentos à base de trigo,

centeio, cevada e aveia), já que ela é totalmente isenta de glúten e ainda possui

outras características como proteína de qualidade, em quantidade superior à dos

cereais; amido com grânulos pequenos, que facilitam a produção de alimentos

congelados; fração de gorduras que auxiliam na redução do colesterol; vitaminas

(em especial a E) e minerais, como o cálcio, o magnésio, o manganês e o ferro em

quantidades que superam com vantagem os cereais. Assim, eles estarão

incorporando opções para diversificar os alimentos e aumentando as chances de

levar uma vida normal. Certamente, os que sofrem dessa enfermidade genética

passarão, ao longo do tempo, a perceber os demais benefícios de seu uso. Os

atletas devem ingeri-la antes e depois das provas, pois a quinoacontém ômega 3

e ômega 6, auxiliares no armazenamento de glicogênio nos músculos; as

crianças, como alternativa ao leite de vaca; e os idosos, porque se trata de um

alimento rico em lisina, aminoácido que ajuda a fortalecer a imunidade e amelhorar a memória.

 
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